
Saúde Emocional Começa em Casa O óbvio precisa ser dito! Falar sobre saúde emocional é falar sobre aquilo que acontece dentro de casa, porque é no ambiente familiar que aprendemos sobre amor, segurança, limites, comunicação e pertencimento. Muitas vezes, porém, aquilo que parece óbvio deixa de ser falado: uma mãe também se cansa, uma mulher também precisa ser acolhida e quem cuida de todos também precisa de cuidado. Estar sempre funcionando não significa necessariamente estar emocionalmente bem. Essa realidade pode ser ainda mais intensa para a mulher e mãe imigrante. Mudar de país não significa apenas mudar de endereço. É enfrentar um novo idioma, outra cultura, a distância da família, a perda da rede de apoio e, muitas vezes, a necessidade de reconstruir a própria identidade pessoal e profissional. Enquanto tenta encontrar seu lugar em uma nova sociedade, essa mulher também precisa ajudar os filhos a se adaptarem e a construírem seu próprio sentimento de pertencimento. Nas famílias multiculturais, outros desafios podem surgir. Pessoas de culturas diferentes podem ter aprendido formas distintas de educar os filhos, demonstrar afeto, estabelecer limites e compreender os papéis familiares. O objetivo não precisa ser escolher qual cultura está certa, mas construir uma identidade familiar que respeite as diferenças e estabeleça valores comuns. Os filhos precisam sentir que podem pertencer às diferentes culturas que fazem parte de sua história sem precisar rejeitar uma para aceitar a outra. Também precisamos olhar com atenção para a mãe atípica, que muitas vezes vive uma rotina marcada por consultas, terapias, escola, avaliações, comportamentos desafiadores e preocupações com o desenvolvimento e o futuro do filho. Quando existe TEA, TDAH ou outra necessidade específica, não podemos cuidar apenas da criança. A família também precisa de orientação, acolhimento e suporte emocional. Por trás de uma criança que necessita de acompanhamento existe, muitas vezes, uma mãe tentando ser forte enquanto se pergunta silenciosamente se está fazendo o suficiente. Por isso, o óbvio precisa ser dito: Eu te apoio! Eu te acolho! Nossos filhos não precisam de pais perfeitos, mas de adultos emocionalmente disponíveis. Precisam de presença, escuta, afeto e limites. Precisam saber que podem falar sobre seus sentimentos, cometer erros, pedir ajuda e continuar sendo amados. Da mesma forma, mães e pais precisam reconhecer seus próprios limites e compreender que buscar ajuda também é uma forma de cuidar da família. Precisa de descanso, de conexão com ela mesma, de cuidar do seu femino, de ter uma rede de amigos, de pausa... Uma família emocionalmente saudável não é aquela que nunca enfrenta dificuldades. É aquela em que existe espaço para reconhecer quando alguém não está bem, conversar, acolher e buscar ajuda quando necessário. Às vezes, uma grande transformação familiar começa em atitudes muito simples: uma conversa verdadeira, um abraço, um pedido de desculpas, alguns minutos de escuta ou a coragem de dizer: “Eu preciso de ajuda.” “Estou cansada preciso de um tempo”. Saúde emocional começa em casa, porque é dentro dela que construímos as primeiras referências de amor, segurança e pertencimento. E quando cuidamos emocionalmente de quem sustenta essa casa, também estamos cuidando das próximas gerações. O óbvio precisa ser dito: Eu te apoio! Eu te amo! Eu te entendo! E quem cuida também precisa ser cuidado. Por isso CUIDE de você primeiro!
Cleide Hauser Psicopedagoga e Terapeuta Familiar Especialista em Crianças, Adolescentes e Relações Familiares TDAH – TEA
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