
"Eu não nasci alcoólatra." A frase carrega uma afirmação e uma pergunta. A afirmação é simples: ninguém chega ao mundo dependente. A pergunta é mais difícil: então em que ponto do caminho isso começou?
O alcoolismo raramente se anuncia. Costuma entrar pela porta da frente, socialmente aceito, celebrado em festas e tolerado no cotidiano, até que deixa de ser escolha e passa a ser necessidade. Entre um momento e outro há um percurso feito de justificativas, de negação e de uma dor que a bebida promete calar por algumas horas.
Afogar-se é perder o ar sem que ninguém ao redor perceba. É por isso que a palavra fôlego atravessa toda a conversa: fôlego é o que se perde na dependência e é exatamente o que se recupera na travessia.
Nesta palestra, Monraya Batista compartilha esse caminho de retorno. Fala do peso do estigma, que faz muitas pessoas adiarem o pedido de ajuda por vergonha. Fala do impacto sobre a família, que adoece junto e muitas vezes em silêncio. E fala, sobretudo, de recomeço: da possibilidade concreta de reconstruir vínculos, retomar o sentido e voltar a respirar.
Um testemunho sobre queda, lucidez e reconstrução.