
SuíçaMuito antes de reconhecer o seu chamado, existiu uma menina que se sentava na calçada, olhava para as estrelas e acreditava que aquela realidade não seria o fim da sua história.
Míria Strässle é missionária, terapeuta e palestrante. Transformou uma trajetória marcada pela rejeição, pela escassez e pela necessidade de sobreviver cedo demais em uma missão de fé, cuidado e serviço. Hoje sua voz alcança outras mulheres.
Sua convicção de que toda mulher pode ressignificar a própria história, romper ciclos e transformar cicatrizes em caminhos de propósito não nasceu apenas dos estudos, da experiência profissional ou da missão que exerce atualmente. Nasceu, sobretudo, da própria travessia. Míria conhece a distância que pode existir entre a mulher que alguém é hoje e a menina que um dia precisou lutar para sobreviver.
Sua história atravessa rejeição, escassez, trabalho precoce, busca por pertencimento, relacionamentos dolorosos, recomeços, fé e reconstrução. Antes de atravessar países, precisou atravessar fronteiras invisíveis. A fronteira da rejeição. A fronteira da escassez. A fronteira da solidão. A fronteira do medo. A fronteira da necessidade de ser aceita. E, mais tarde, aquela que talvez tenha sido uma de suas maiores travessias: a distância entre fugir do chamado e finalmente decidir respondê-lo.
Hoje, vivendo na Suíça, casada há mais de 28 anos e mãe de um filho adulto, ela olha para trás e encontra um fio que permaneceu inteiro em meio a tantas rupturas: a certeza de que sua história não terminaria no lugar onde começou.